Em 12 de fevereiro de 2026, o Tribunal Distrital Central de Seul (Divisão Cível 31) decidiu, em primeira instância, que a HYBE deve pagar cerca de 25,5 bilhões de won (aproximadamente 25,5 milhões de dólares) à Min Hee-jin, ex-CEO da ADOR, por considerar válido o exercício do put option previsto no acordo de acionistas entre a empresa e a executiva. Essa decisão rejeitou a tese da HYBE de que a rescisão do contrato foi legítima antes do exercício do direito de venda das ações.
O caso ganhou novos desdobramentos em 20 de fevereiro, quando uma reportagem revelou que mensagens privadas trocadas no KakaoTalk entre Min Hee-jin e V (integrante do grupo BTS) foram aceitas como prova no processo. Essa revelação trouxe à tona a crítica pública sobre a “mídia play” no contexto de uma disputa envolvendo alegações de semelhanças entre o grupo ILLIT, da HYBE, e o grupo New Jeans. V se manifestou nas redes sociais, argumentando que a conversa foi privada e não tinha a intenção de tomar partido, e expressou surpresa por ela ter sido usada como evidência sem seu consentimento.
Além disso, o tribunal tratou a afirmação de Min Hee-jin de que “ILLIT é semelhante a NewJeans” como uma opinião, não um fato. A decisão judicial também criticou a forma como o conflito foi externalizado e expôs a pressão sobre as ações da HYBE devido à publicidade negativa gerada.
Contexto e cronologia do litígio
O litígio surgiu do acordo de acionistas entre a HYBE e Min Hee-jin, que envolvia a opção de venda (put option), um direito que permitia à executiva exigir que a HYBE recomprasse suas ações a um valor calculado de acordo com um critério preestabelecido. O conflito teve início em abril de 2024, quando a HYBE iniciou uma auditoria na ADOR, o que resultou em acusações públicas de Min Hee-jin, que alegou ser vítima de um ataque à sua gestão criativa, especialmente em relação ao grupo ILLIT.
A HYBE, por sua vez, alegou que Min estava tentando enfraquecer a sua posição ao buscar a independência da ADOR e abrir o capital da empresa. Com o conflito escalando para o público, a HYBE rescindiu o contrato em julho de 2024, e Min Hee-jin deixou o cargo de CEO em agosto do mesmo ano.
Em novembro de 2024, Min notificou a execução do put option, iniciando uma ação judicial que culminou na decisão de fevereiro de 2026, que ordenou o pagamento de 25,5 bilhões de won.
Decisões judiciais e implicações
O tribunal rejeitou a alegação da HYBE de que Min violou o acordo ao tentar afastar a ADOR da estrutura da empresa e, portanto, validou o exercício do put option. Em sua decisão, o tribunal não considerou suficiente a alegação de que Min agiu de forma a comprometer a confiança no acordo de acionistas, mantendo a validade do contrato e, consequentemente, a obrigação da HYBE de pagar a quantia estipulada.
Uso das mensagens de V como prova
As mensagens privadas entre V e Min Hee-jin foram apresentadas como prova no caso, o que gerou controvérsia. A conversa foi publicada na mídia, com V afirmando em sua defesa que se tratava de uma troca cotidiana e sem a intenção de se envolver no conflito. A defesa de V, representada por sua agência BIGHIT MUSIC, afirmou que o comentário era uma demonstração de “empatia” e não de endosse a qualquer uma das partes.
Aspectos legais e éticos
O uso dessas mensagens privadas levanta questões sobre a privacidade e o consentimento. De acordo com a Lei de Proteção de Segredos de Comunicações da Coreia do Sul, a gravação de conversas privadas por terceiros sem consentimento é proibida. A controvérsia gerada pelo uso das mensagens, sem o consentimento de V, coloca em debate o equilíbrio entre os interesses probatórios e o direito à privacidade, especialmente quando celebridades estão envolvidas.
Impacto financeiro e de imagem
O valor de 25,5 bilhões de won representa não apenas uma perda financeira substancial para a HYBE, mas também um impacto significativo na sua imagem e no mercado, que já havia reagido negativamente ao conflito com quedas nas ações da empresa. O tribunal também observou a exposição pública do conflito, que contribuiu para a volatilidade das ações da HYBE.
Próximos passos
A HYBE já apresentou uma apelação, solicitando a suspensão da execução da sentença até que o recurso seja julgado. O caso continuará a repercutir tanto no setor jurídico quanto no mercado financeiro, com especial atenção ao tratamento dado a provas digitais e à proteção da privacidade.
Esse caso continua a ser monitorado de perto, pois estabelece precedentes importantes para disputas corporativas envolvendo provas digitais e privacidade.